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A história do Taj Mahal, em Agra, Índia, está envolvida em muitos mitos. Um dos mais fascinantes será o daquilo que se conhece por Black Taj Mahal, um suposto mausoléu construído em mármore negro, uma réplica em negativo do monumento branco erguido por Shah Jahan para a sua esposa Mumtaz Mahal. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem Diz-se que Shah Jahan, após concluir o Taj Mahal (1631-1653) para Mumtaz Mahal, planeou erguer do outro lado do rio Yamuna um túmulo igual em forma, mas em mármore negro, para si. A referência mais antiga conhecida desta ideia aparece nos relatos do viajante francês Jean‑Baptiste Tavernier, que por volta de 1665 mencionou que Shah Jahan «começou a construir o seu túmulo no outro lado do rio», mas que o projecto foi interrompido pelo seu filho Aurangzeb. Na margem oposta ao Taj, há o jardim designado Mehtab Bagh (Jardim do luar) que, pela sua localização e simetria, alimentou a especulação de que ali poderia ocorrer o contraste entre o túmulo branco e o negro. Exumações arqueológicas realizadas em meados dos anos 1990 indicaram que as placas que se pensava serem de mármore negro eram na verdade mármore branco que escurecera com o tempo ou depósitos de pedra não destinados ao tal projecto. A ideia de mármore negro tem simbolismo: poderia representar luto, oposto ao branco de Mumtaz Mahal, e reforçar a simetria perfeita, o “gêmeo negro” do mausoléu branco. Se fosse verdade, mostraria tanto o poder de Shah Jahan como o amor eterno pela esposa, num arranjo arquitectónico de dualidade. A investigação académica aponta vários problemas com a lenda:
Mesmo que a existência do Black Taj nunca seja provada, a lenda faz parte da narrativa do Taj Mahal. Ela contribui para a aura de mistério que cerca o monumento. Os visitantes gostam de explorar a margem oposta do rio e imaginar a dualidade entre luz e escuridão, branco e negro, amor e ambição. Guias turísticos mencionam frequentemente o mito, o que o torna parte do imaginário coletivo. A lenda do Black Taj Mahal mostra como um edifício histórico não é apenas pedra e decoração, é também histórias, rumores, desejo humano e simbologia. O verdadeiro Taj Mahal já existe e é declarado Património da Humanidade da UNESCO. O mausoléu negro permanece como hipótese ou mito, mas isso não diminui a força do que representa: a busca humana por eternidade, pela simetria e pelo contraste que traduzem ambição, luto e memórias. |
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