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Antes do 25 de Abril, uma mulher só podia viajar para o Exterior com autorização do pai ou do marido. A desigualdade de género era gritante. A grande maioria das mulheres não tinha sequer Passaporte. O que nem sempre temos presente é como o desfecho da sangrenta Guerra do Vietname, como a derrota dos Estados Unidos, foi determinante para o 25 de Abril e os direitos e progresso que a Democracia ofereceu aos portugueses. A influência geopolítica, histórica e militar da Guerra do Vietname na História de Portugal merece 2 minutos da tua atenção se vais visitar o país. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem A Guerra do Vietname (1955-1975) foi um dos grandes palcos da Guerra Fria, onde EUA e URSS apoiavam lados opostos. Portugal, envolvido nas guerras coloniais em África (1961-1974), enfrentava um problema semelhante: a luta contra movimentos de libertação apoiados pela URSS, China e países do Bloco de Leste. Em ambos os casos, tratava-se de conflitos de descolonização inseridos no xadrez global da Guerra Fria. Tal como no Vietname, os movimentos de libertação africanos (MPLA em Angola, PAIGC na Guiné-Bissau, FRELIMO em Moçambique) usaram guerrilha prolongada contra um exército convencional. O desgaste militar e moral foi comparável: os EUA retiraram-se em 1973; em Portugal, o prolongamento sem vitória visível levou ao cansaço das Forças Armadas. Os Oficiais portugueses acompanharam a evolução no Vietname e viam as semelhanças. A incapacidade americana de vencer uma guerra de guerrilha antecipava o que Portugal vivia em África. Isso reforçou a perceção de que a guerra era insustentável e que a solução não poderia ser militar. O fim da Guerra do Vietname (1975) coincidiu com o processo de descolonização português. A comunidade internacional já apontava para a ilegitimidade da guerra colonial, e os EUA, fragilizados pela derrota no Vietname, tinham menos interesse em apoiar ditaduras coloniais como a portuguesa. Tal como os protestos internos nos EUA desgastaram a legitimidade da guerra, em Portugal a oposição interna (embora mais controlada pela censura) e, sobretudo, o mal-estar crescente nos militares contribuíram para a rutura. O MFA (Movimento das Forças Armadas) nasceu como resposta à guerra colonial interminável. Ambos os conflitos demonstraram o limite da força militar frente a movimentos nacionalistas com apoio externo e legitimidade local. Para os capitães de Abril, o Vietname era um aviso: insistir na guerra levaria apenas a mais isolamento e derrota inevitável. A Guerra do Vietname e o 25 de Abril não têm ligação causal direta, mas partilham um mesmo quadro geopolítico. O Vietname mostrou ao mundo, e aos militares portugueses, que guerras coloniais contra movimentos de libertação eram insustentáveis. Essa lição reforçou o descontentamento nas fileiras, acelerou a decisão de derrubar o regime e pôs fim às guerras em África. Com o 25 de Abril as mulheres Portuguesas tornaram-se cidadãs de pleno direito. A sociedade caminhou velozmente na direção da Europa e entre os valores ganhos desde então, o prazer e o poder de viajar das nulheres, é um dos mais visíveis. Integrar a nossa história pessoal na história da nossa comunidade, país, e a do nosso país no contexto global, é uma forma saborosa de usufruir ainda mais de cada viagem e de cada destino. Agora quando fores ao Vietname e ouvires falar da guerra, não estás só a conhecer o passado deles, mas a compreender algo que te diz respeito, um dos motivos para poderes estar ali. Até onde és capaz de ir? EXPEDIÇÕES NO VIETNAME |
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