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O bloqueio imposto pela Admnistração Trump empurrou Cuba para um dos períodos mais delicados das últimas décadas, marcado por instabilidade social, colapso energético e limitações severas na mobilidade interna e internacional. A combinação destes fatores está a afetar diretamente a população e a alterar de forma significativa as condições para quem visita o país. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem. Em 2026, Donald Trump adotou uma política significativamente mais dura em relação a Cuba, centrada no reforço de sanções económicas e no bloqueio energético. A 29 de janeiro, assinou uma ordem executiva que classificou Cuba como ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, permitindo aplicar medidas adicionais contra países terceiros que fornecessem petróleo à ilha. Em paralelo, os EUA intensificaram restrições ao fornecimento de crude, incluindo pressões sobre a Venezuela, principal parceiro energético de Cuba, contribuindo para uma crise severa de abastecimento e falhas generalizadas de eletricidade. Simultaneamente, a administração norte-americana procurou enfraquecer o governo cubano liderado por Miguel Díaz-Canel, defendendo abertamente mudanças políticas e exigindo reformas internas. Foi também adotada uma estratégia diferenciada que permitiu a venda de combustível ao setor privado cubano, excluindo o Estado, com o objetivo de alterar o equilíbrio económico interno. Ao longo do primeiro trimestre de 2026, declarações públicas de Trump sugeriram a possibilidade de uma intervenção ou “tomada” de Cuba, ainda que sem concretização prática, sinalizando uma escalada política e diplomática no contexto das relações entre os dois países. Nos últimos meses, registaram-se em Cuba protestos em várias cidades cubanas. A maioria tem decorrido de forma pacífica, mas o contexto permanece volátil. As autoridades mantêm presença reforçada nas ruas e a possibilidade de escalada não é descartada. Para residentes e visitantes, o risco está associado sobretudo a ajuntamentos espontâneos e a mudanças rápidas no controlo da ordem pública. A recomendação operacional é evitar concentrações, manter distância de manifestações e acompanhar informação atualizada através dos meios de comunicação locais. Paralelamente, o país enfrenta falhas estruturais graves no fornecimento de energia. Os cortes de eletricidade são frequentes, prolongados e abrangem grande parte do território. Esta situação compromete serviços essenciais como hospitais, telecomunicações, abastecimento de água e funcionamento de estabelecimentos comerciais. O impacto no dia a dia é direto e cumulativo, criando um ambiente de elevada imprevisibilidade. A escassez de combustível agrava o cenário. O governo implementou medidas de racionamento e reduziu serviços públicos para preservar recursos. Transportes públicos operam com limitações, deslocações interurbanas tornaram-se irregulares e a logística turística está comprometida. Excursões, transfers e serviços privados são frequentemente cancelados ou adiados sem aviso prévio. No setor da aviação, as restrições são críticas. O Aeroporto Internacional José Martí opera com limitações devido à ausência de combustível de aviação. O Terminal 2 foi encerrado, com operações redirecionadas para o Terminal 3. Várias companhias aéreas suspenderam rotas. A LATAM Airlines interrompeu ligações, enquanto todas as companhias canadianas fizeram o mesmo. A Air France anunciou a suspensão dos voos entre Paris e Havana entre 29 de março e 14 de junho, com o último voo de regresso programado para 28 de março. Outras operadoras mantêm rotas sob revisão constante. Este contexto reduz progressivamente as opções de entrada e saída do país. Em caso de agravamento, a capacidade de evacuação pode tornar-se limitada. Para viajantes, isto representa um fator crítico de risco logístico. A dependência de ligações aéreas instáveis exige planeamento contínuo e monitorização permanente. No terreno, as autoridades cubanas ajustaram serviços de saúde, educação, transportes e turismo para gerir a escassez energética. Estas alterações são temporárias, mas sucessivas, dificultando qualquer previsão operacional. A experiência do visitante deixa de ser estruturada e passa a depender de variáveis externas fora de controlo. Para quem se encontra em Cuba, a avaliação deve ser pragmática. A permanência deve ser justificada por necessidade real. É recomendada a gestão rigorosa de recursos: água, alimentos, combustível e bateria de dispositivos móveis. O acesso a serviços médicos pode estar condicionado e as comunicações sujeitas a interrupções. Para quem pondera viajar, a análise deve basear-se em dados atualizados. Acompanhar comunicações das companhias aéreas e operadores turísticos é essencial. Documentos de viagem devem estar válidos e preparados para alterações de itinerário. A flexibilidade operacional é obrigatória num cenário com risco de deterioração rápida. Os Portugueses em Viagem desaconselham por isso qualquer Viagem não-essencial a Cuba até que o país retome a normalidade energética e social. Se precisa de viajar para Cuba, a decisão de viajar deve ser informada, cautelosa e baseada em monitorização contínua da situação no terreno. LER MAIS |
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