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Poucos escritores portugueses do século XIX viveram com tanta intensidade o fascínio do Oriente como Eça de Queirós. Em 1869, ainda jovem diplomata, Eça foi enviado ao Egito para cobrir a inauguração do Canal do Suez, representando o jornal “Gazeta de Portugal”. Essa viagem ao Cairo e ao delta do Nilo não só marcou a sua carreira literária, como influenciou profundamente a sua visão do mundo e a sua escrita, deixando um testemunho singular da experiência portuguesa em terras egípcias. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem Ao chegar ao Cairo, Eça de Queirós mergulhou num ambiente exótico e vibrante, muito diferente da Lisboa burguesa e europeia que tão bem descreveu nos seus romances. O calor, os cheiros, a diversidade étnica e religiosa, o bulício das ruas, as roupas coloridas e os mercados animados impressionaram-no desde o primeiro momento. Eça foi um observador atento e crítico, registando nos seus textos as paisagens do deserto, as margens férteis do Nilo, as multidões que se acotovelavam nos bazares e a monumentalidade dos templos e pirâmides. A viagem foi também uma oportunidade para Eça refletir sobre o encontro de culturas e a presença europeia no Egito. Nas suas crónicas, depois publicadas em “O Egipto”, Eça de Queirós relata com ironia o contraste entre a tradição oriental e o progresso técnico simbolizado pelo Canal de Suez. Descreve a sociedade local com curiosidade, mas também com o distanciamento de quem reconhece a força da diferença. O próprio autor confessa a perplexidade perante a monumentalidade das pirâmides e a magia dos monumentos faraónicos, ao mesmo tempo que se mostra atento ao quotidiano dos cairotas, aos costumes e aos gestos simples do povo egípcio. A passagem pelo Egito não ficou apenas marcada pela reportagem jornalística. Eça viveu intensamente as noites do Cairo, assistiu a festas, conversou com viajantes de todo o mundo, diplomatas, comerciantes e militares. Este contacto cosmopolita inspirou-lhe uma visão mais ampla e aberta, que se refletiria mais tarde nos seus romances e no seu olhar sobre a sociedade portuguesa. A viagem de Eça de Queirós ao Cairo foi muito mais do que um episódio diplomático ou jornalístico: foi um encontro com o exotismo, a diferença e a grandeza de uma civilização milenar. O Egito de Eça, com as suas descrições ricas e observações perspicazes, ficou eternizado nas páginas da literatura portuguesa e oferece ainda hoje uma porta de entrada fascinante para quem quer descobrir o Cairo com olhos de viajante e de escritor. |
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