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Na Lagoa Humantay, nas montanhas de Cusco, no Peru, a água azul-turquesa, o glaciar e as paredes montanhosas criaram uma das imagens mais divulgadas dos Andes peruanos. Por trás dessa fotografia existe uma história muito mais interessante, feita de geologia, água, montanhas sagradas e práticas religiosas com raízes pré-hispânicas. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem. A Expedição ao Peru dos Portugueses em Viagem inclui a caminhada até à Lagoa Humantay, integrada numa viagem por Cusco, Vale Sagrado, Machu Picchu, Montanha das Sete Cores e Lago Titicaca. Sobre a lagoa xistem curiosas histórias românticas repetidas milhares de vezes na Internet cuja antiguidade é difícil de demonstrar. Fomos, por isso, procurar estudos arqueológicos, trabalhos académicos, investigação científica e documentação institucional para perceber o que sabemos realmente sobre Humantay, Salkantay e os Apus dos Andes. É este Peru, para além das fotografias mais conhecidas, que procuramos no Blog dos Portugueses em Viagem e nas nossas expedições. Comecemos pelo que a ciência permite estabelecer. A Lagoa Humantay é uma lagoa de origem glaciar, integrada no ambiente de alta montanha dos Andes Centrais. A relação entre gelo e água é fundamental para compreender também o significado cultural destas montanhas. Os glaciares peruanos têm enorme relevaância como reservatórios de água e fontes de escoamento para diferentes regiões do país. Humantay deve, portanto, ser entendida primeiro como parte de um sistema natural de alta montanha. A água que vemos resulta de processos glaciares. Esta explicação física não elimina a dimensão espiritual da paisagem. Pelo contrário. Ajuda a perceber porque razão as populações andinas atribuíram durante séculos um valor tão profundo às montanhas que forneciam água. É aqui que aparece outra montanha: a Montanha Salkantay. A investigação arqueológica oferece informação muito mais sólida sobre esta montanha do que sobre várias das lendas actualmente associadas à Lagoa Humantay. Salkantay é uma das grandes montanhas sagradas da região, associada às comunidades de Mollepata, Machupicchu, Santa Teresa e áreas vizinhas. Humantay está entre as montanhas que rodeiam Salkantay e integra este conjunto na paisagem religiosa da cordilheira de Vilcabamba. Para compreender esta relação é necessário abandonar, durante alguns minutos, uma leitura exclusivamente ocidental da paisagem. Na tradição andina, determinadas montanhas são "Apus", ou seja, não são simplesmente acidentes geográficos e funcionam como entidades tutelares inseridas numa rede de relações entre território, comunidades, água, animais, agricultura e forças sobrenaturais. Salkantay é uma divindade poderosa que persiste como objecto de veneração. A montanha surge associada à fertilidade, à protecção das populações e ao sucesso agrícola. Esta forma de interpretar a paisagem não pertence apenas ao passado arqueológico: as comunidades andinas continuam a preservar tradições culturais imateriais relacionadas com as antigas paisagens atravessadas pela rede viária inca. O sistema ligava centros políticos, económicos e religiosos através de ambientes que iam das montanhas nevadas acima dos 6000 metros às florestas e desertos. A água ocupa um lugar decisivo nesta relação. As montanhas da cordilheira eram valorizadas enquanto fornecedoras de água, elemento essencial para a vida e para a fertilidade. Os glaciares funcionam como importantes reservas hídricas nos Andes peruanos. No caso de Humantay, essa ligação é quase visível: gelo, degelo, lagoa, cursos de água e vales aparecem sucessivamente diante do viajante. A famosa “lenda de Humantay” é uma história segundo a qual Salkantay e Ausangate seriam irmãos que partiram à procura de alimentos durante um período de fome. Algumas versões acrescentam um romance entre Salkantay e uma mulher chamada Verónica e afirmam que as lágrimas provocadas pela separação teriam originado a Lagoa Humantay. Os investigadores atuais relacionam a montanha com lugares de culto, oferendas e cerimónias e mostram como a evangelização colonial procurou eliminar parte destas práticas através das campanhas conhecidas como “extirpação de idolatrias”. O glaciar que alimenta Humantay é um património natural particularmente vulnerável. A investigação científica mostra uma retracção significativa dos glaciares andinos, enquanto os estudos sobre lagos glaciares alertam para transformações rápidas nestes ambientes. Quando caminhamos até Humantay estamos, portanto, perante uma paisagem em risco. A Lagoa Humantay integra actualmente os programas de viagem ao Peru dos Portugueses em Viagem, numa caminhada em altitude realizada a partir da região de Cusco. No final da subida encontramos água e gelo. Mas, quando conhecemos a arqueologia e a antropologia dos Andes, percebemos que diante de nós está também uma antiga paisagem cultural onde montanhas e seres humanos continuam ligados por uma das ideias mais persistentes do mundo andino: a água que desce das montanhas permite que a vida continue. marca a tua viagem ao peruLER MAIS SOBRE O PERU: PERU, BOLÍVIA, CHILE: ESTA VIAGEM VAI MUDAR A TUA VIDA! UM DIA EM BARRANCO (LIMA, PERU) ARQUEÓLOGOS DESCOBREM UMA NOVA CIDADE NO PERU O LEGADO DA IGREJA CATÓLICA NO PERU O QUE VISITAR EM URUBAMBA O QUE VISITAR EM OLLANTAYTAMBO: EXPLORE A ÚLTIMA CIDADE INCA NO PERU SAQSAYHUAMAN, O ENIGMÁTICO TEMPLO INCA QUE TENS QUE VISITAR EM CUSCO O MISTERIOSO BAIRRO DE SAN BLAS, O CORAÇÃO ARTÍSTICO E ESPIRITUAL DE CUSCO, NO PERU. 5 MUSEUS PARA VISITAR EM CUSCO NO PERU QUE CIRCUITO ESCOLHER EM MACHU PICHU ? 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