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A Universidade mais antiga do Mundo foi fundada por uma mulher muçulmana. Era tão determinada que para acelerar a obra prometeu jejuar até a mesma estar concluída. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem. Fátima al-Fihri, uma mulher visionária do século IX, é um nome que ressoa com admiração na história da educação e do mundo islâmico. Nascida em Kairouan, Tunísia, e emigrada para Fez, Marrocos, Fátima deixou uma marca indelével ao fundar a Universidade de Al Quaraouiyine, a mais antiga instituição de ensino superior do mundo em funcionamento contínuo. Este artigo explora a vida de Fátima al-Fihri, a importância de Al Quaraouiyine e o impacto duradouro da sua fundação. A Vida de Fátima al-FihriFátima al-Fihri nasceu no início do século IX, numa família rica e instruída. Após a morte do seu pai, um próspero comerciante, Fátima e a sua irmã Mariam herdaram uma considerável fortuna. Em vez de seguir os caminhos tradicionais para mulheres da sua época, Fátima decidiu investir a sua herança em um empreendimento que beneficiaria a sociedade e promoveria o conhecimento. Fez, na altura, era um próspero centro de comércio e cultura, atraindo estudiosos e comerciantes de várias partes do mundo islâmico e além. A cidade era um caldeirão de culturas e ideias, tornando-se o local ideal para a visão de Fátima al-Fihri. A Fundação de Al QuaraouiyineEm 859, Fátima al-Fihri fundou a Universidade de Al Quaraouiyine, inicialmente como uma mesquita. O seu objetivo era criar um espaço dedicado ao aprendizado e à oração. A instituição rapidamente se expandiu, tornando-se um centro de ensino que atraiu estudiosos de diversas disciplinas, incluindo teologia, jurisprudência islâmica, gramática, medicina, matemática, astronomia e música. Al Quaraouiyine não só oferecia educação religiosa, mas também promovia o estudo de ciências e artes, refletindo a rica tradição intelectual do mundo islâmico. A universidade foi inovadora ao aceitar estudantes de todas as origens, incluindo judeus e cristãos, fomentando um ambiente de pluralismo e troca de ideias. Al Quaraouiyine é anterior à Mesquita Sankore em Timbuktu (fundada em 989) e à Universidade de Bolonha (construída em 1088). A universidade de Coimbra foi fundada e 1290, ou seja, três séculos depois. Impacto e Legado de Al QuaraouiyineA Universidade de Al Quaraouiyine teve um impacto profundo e duradouro no mundo islâmico e além. Ao longo dos séculos, a universidade produziu inúmeros estudiosos e intelectuais que contribuíram significativamente para o desenvolvimento do conhecimento em diversas áreas. Entre os seus alunos mais famosos estão o filósofo e historiador Ibn Khaldun e o médico e filósofo Maimónides. Al Quaraouiyine também desempenhou um papel crucial na preservação e transmissão do conhecimento clássico. Durante a Idade Média, muitas obras de filósofos gregos e romanos foram traduzidas para o árabe na universidade, garantindo que esses textos fundamentais fossem preservados e transmitidos para gerações futuras. Além disso, a universidade estabeleceu uma ligação intelectual entre o mundo islâmico e a Europa medieval. Muitos estudiosos europeus viajaram para Fez para estudar em Al Quaraouiyine, levando de volta o conhecimento adquirido e contribuindo para o Renascimento Europeu. porque os talibã no afeganistão impedem o acesso das mulheres à educaçãoA proibição da educação feminina pelos Talibã não resulta de um consenso do mundo islâmico nem representa a prática da maioria dos países muçulmanos. Pelo contrário. Desde que regressaram ao poder no Afeganistão em 2021, os Talibã proibiram progressivamente o acesso das raparigas ao ensino secundário e universitário, tornando o Afeganistão o único país do mundo onde as mulheres estão impedidas de frequentar a universidade. Esta política não encontra fundamento explícito no Alcorão. Pelo contrário, os textos fundadores do Islão contêm múltiplas referências à importância do conhecimento para todos os crentes. Um dos hadiths mais citados afirma que a procura do conhecimento é uma obrigação para todos os muçulmanos, homens e mulheres. A interpretação dos Talibã no Afeganistão resulta sobretudo de uma combinação entre uma leitura extremamente conservadora da escola jurídica deobandi, tradições tribais pashtun e circunstâncias políticas próprias do Afeganistão rural. As restrições impostas às mulheres afegãs estão mais relacionadas com fatores culturais e ideológicos locais do que com uma posição consensual da teologia islâmica. Muitos dos mais importantes centros religiosos do mundo muçulmano, incluindo a Universidade Al-Azhar no Egito, uma das instituições islâmicas mais influentes do planeta, rejeitaram publicamente a proibição da educação feminina, defendendo que o ensino das mulheres é compatível com os princípios do Islão. A comparação com outros países muçulmanos ajuda a compreender esta realidade. No Irão, apesar das limitações impostas pelo regime em várias áreas da vida pública, as mulheres representam há vários anos mais de metade dos estudantes universitários em numerosas instituições de ensino superior. Em Marrocos, as mulheres frequentam universidades, exercem profissões liberais, ocupam cargos governativos e constituem uma parte crescente dos licenciados em áreas como medicina, engenharia, direito e gestão. Situações semelhantes encontram-se na Indonésia, Malásia, Jordânia, Tunísia, Emirados Árabes Unidos e Turquia. Segundo dados da UNESCO e do Banco Mundial, vários países de maioria muçulmana apresentam taxas de frequência universitária feminina iguais ou superiores às masculinas. A questão central, portanto, não é o Islão enquanto religião, mas sim a forma como diferentes sociedades interpretam e aplicam os seus princípios. Ao longo da história islâmica existiram mulheres eruditas, juristas, professoras e transmissoras de conhecimento religioso. A própria Aisha, esposa do profeta Maomé, é considerada uma das mais importantes autoridades intelectuais do Islão primitivo. A posição dos Talibã constitui uma interpretação minoritária e altamente contestada dentro do mundo muçulmano contemporâneo. A evidência académica disponível demonstra que a educação feminina não só é compatível com a tradição islâmica dominante como é amplamente praticada na maioria dos países muçulmanos atuais. Fátima al-Fihri: Um Modelo de InspiraçãoFátima al-Fihri é uma figura inspiradora não só pelo seu papel como fundadora da universidade mais antiga do mundo, mas também pelo seu exemplo de liderança, visão e compromisso com a educação. A sua história é um testemunho do poder transformador da educação e da importância de apoiar o conhecimento e a aprendizagem como pilares fundamentais para o progresso humano. A sua dedicação em criar uma instituição de ensino que transcendesse barreiras religiosas e culturais é um exemplo poderoso de como a educação pode servir como um catalisador para a paz, o entendimento e o desenvolvimento. A fundação da Universidade de Al Quaraouiyine por Fátima al-Fihri representa um marco na história da educação e da cultura. Esta instituição não só sobreviveu ao longo dos séculos, mas também continua a ser um centro de excelência académica até hoje. A visão de Fátima al-Fihri de um espaço dedicado ao conhecimento e à espiritualidade ressoa ainda hoje, inspirando gerações de estudantes e estudiosos em todo o mundo. viagens em marrocos |
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