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Saio do aeroporto, olho para a primeira placa e percebo de imediato que estou longe de casa. As letras parecem familiares, mas recusam-se a formar palavras: há sinais invertidos, caracteres angulares e símbolos que parecem saídos de um código secreto. Para um viajante português, o alfabeto cirílico pode ser incompreensível à primeira vista, mas é também graficamente fascinante. Surge nas estações, nos mapas, nos menus e nas fachadas, transformando cada deslocação num pequeno exercício de descoberta. Mais do que um sistema de escrita, o cirílico torna-se um dos sinais mais fortes da viagem: aquele instante em que a paisagem muda, a língua deixa de oferecer pistas e percebemos que entrámos verdadeiramente noutro mundo. Save a História deste alfabeto no Blog dos Portugueses em Viagem onde é utilizado o alfabeto cirílicoO alfabeto cirílico é utilizado em vários países da Europa e da Ásia. Na Europa, é o principal sistema de escrita na Bielorrússia, na Bulgária, na Macedónia do Norte, na Rússia, na Sérvia e na Ucrânia. Também é usado no Montenegro, embora o alfabeto latino tenha igualmente uma presença significativa. Na Ásia, o cirílico é utilizado no Cazaquistão, no Quirguistão, na Mongólia e no Tajiquistão. No Cazaquistão, está em curso um processo de transição gradual para o alfabeto latino, mas o cirílico continua muito presente. Na Mongólia, é usado em conjunto com a escrita tradicional mongol. O alfabeto cirílico também aparece noutros territórios e comunidades. Na Bósnia e Herzegovina, é utilizado sobretudo pela população sérvia. No Kosovo e em algumas zonas da Croácia, continua a ser usado por comunidades de língua sérvia. No Uzbequistão, apesar da preferência oficial pelo alfabeto latino, o cirílico ainda é bastante comum. É igualmente utilizado em territórios como a Transnístria e a Abecásia. Não existe apenas uma versão do alfabeto cirílico. Cada língua adaptou as letras às suas necessidades. Por isso, o cirílico usado em russo, ucraniano, búlgaro, sérvio, mongol ou tajique apresenta diferenças no número de letras, na pronúncia e nas regras de escrita. A HISTÓRIAO alfabeto cirílico surgiu no final do século IX, no contexto da cristianização dos povos eslavos. Apesar do nome, não foi criado directamente por São Cirilo. Cirilo e o seu irmão Metódio, missionários bizantinos naturais de Tessalónica, desenvolveram primeiro o alfabeto glagolítico, destinado à tradução de textos religiosos gregos para o antigo eslavo eclesiástico. Após a morte dos dois missionários, os seus discípulos continuaram o trabalho no Primeiro Império Búlgaro. Na Escola Literária de Preslava, provavelmente durante o reinado do Czar Simeão I, foi criado um novo sistema de escrita baseado sobretudo nas letras maiúsculas do alfabeto grego. Foram acrescentados símbolos provenientes do glagolítico para representar sons eslavos inexistentes na língua grega. O novo alfabeto recebeu o nome de cirílico em homenagem a São Cirilo. A sua estrutura mais simples facilitou a cópia de manuscritos religiosos, administrativos e literários. A escrita difundiu-se da Bulgária para a Sérvia e para a Rússia de Kiev, acompanhando a expansão do cristianismo ortodoxo e da tradição litúrgica eslava. Ao longo dos séculos, cada língua adaptou o sistema às suas necessidades. Em 1708, o c Czar Pedro I da Rússia introduziu uma grande reforma gráfica, conhecida como alfabeto civil, eliminando algumas letras antigas e aproximando a tipografia cirílica dos modelos europeus ocidentais. Reformas posteriores deram origem aos alfabetos modernos. Actualmente, diferentes versões do cirílico são utilizadas em línguas como o russo, o búlgaro, o ucraniano, o bielorrusso, o sérvio e o macedónio, bem como em diversas línguas da Ásia Central e do Cáucaso. Não existe, portanto, um único alfabeto cirílico: cada idioma possui letras, sons e regras próprias. O cirílico adapta-se bem a várias línguas eslavas. Possui letras próprias para representar sons específicos, como Ж, Ш, Ч, Щ, Ц e Я. Isso permite uma correspondência relativamente directa entre a escrita e a pronúncia em línguas como o russo, o búlgaro, o sérvio e o ucraniano. PORQUE SE TORNOU RELEVANTEO alfabeto cirílico tornou-se importante porque permitiu escrever com maior precisão várias línguas eslavas. Estas línguas possuíam sons que não eram facilmente representados pelo alfabeto grego ou pelo latino. O novo sistema combinou letras de origem grega com outros sinais adaptados à pronúncia eslava. A sua expansão esteve ligada à cristianização dos povos eslavos. A Igreja Ortodoxa teve um papel decisivo na sua difusão. Os mosteiros e centros religiosos ensinavam a ler, copiavam manuscritos e formavam membros do clero. O cirílico acompanhou, assim, a expansão do cristianismo ortodoxo pela Bulgária, Sérvia, Rússia, Ucrânia e outras regiões da Europa Oriental. Tornou-se um instrumento de religião, educação e transmissão cultural. O alfabeto passou depois a ser utilizado fora das igrejas. Serviu para escrever leis, crónicas, correspondência, literatura e documentos administrativos. A sua adopção por diferentes Estados reforçou a presença do cirílico durante vários séculos. Com o desenvolvimento da imprensa, começaram também a circular livros, manuais escolares e publicações em línguas escritas neste sistema. A expansão do Império Russo e, mais tarde, da União Soviética aumentou ainda mais a sua influência. A partir da década de 1930, várias línguas não eslavas da União Soviética passaram a utilizar alfabetos baseados no cirílico. Esta política facilitava a centralização administrativa, o ensino e a comunicação dentro do território soviético. Por essa razão, o cirílico também se estabeleceu em partes do Cáucaso, da Ásia Central e da Sibéria. Actualmente, o cirílico mantém uma forte importância cultural e política. Está associado à identidade nacional de vários povos e continua presente na educação, na literatura, na comunicação social e na administração pública. Desde a entrada da Bulgária na União Europeia, em 1 de Janeiro de 2007, tornou-se também um dos três alfabetos oficialmente utilizados pelas instituições europeias, juntamente com o latino e o grego. A importância do cirílico resulta, portanto, da combinação de vários factores: adaptação às línguas locais, apoio da Igreja Ortodoxa, adopção por Estados influentes, utilização no ensino e presença continuada na vida cultural. O seu sucesso resultou sobretudo das instituições religiosas, políticas e educativas que o utilizaram e difundiram ao longo de mais de mil anos. escolhe a tua aventura |
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