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O Carnaval enche as ruas de música, máscaras e brincadeiras, mas a sua história começa muito antes dos desfiles que hoje vemos na televisão. No Blog dos Portugueses em Viagem, vale a pena seguir este percurso desde o calendário cristão e o antigo Entrudo até às tradições de Podence e aos grandes carnavais do Brasil. É também uma boa forma de perceber como uma festa muda quando atravessa fronteiras e se transforma nas mãos de cada comunidade. A data do Carnaval depende da Páscoa: a festa termina na terça-feira anterior à Quarta-Feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma no calendário cristão. Durante séculos, esse período foi associado à abstinência e à contenção. O Carnaval ganhou, assim, lugar como tempo de festa antes da Quaresma. A própria origem da palavra é discutida, mas uma explicação frequente relaciona-a com expressões latinas medievais ligadas à retirada da carne. É tentador procurar uma única origem antiga para o Carnaval, mas os historiadores não confirmam uma linha direta entre a festa atual e um rito específico da Antiguidade. Há quem encontre semelhanças com festivais gregos e romanos, como as Saturnais, mas essas aproximações não provam uma continuidade ininterrupta. O mais seguro é dizer que o Carnaval se formou ao longo do tempo, combinando práticas populares, costumes sazonais e o calendário cristão. Na Europa medieval, a festa ganhou formas próprias. Em Roma, por exemplo, há registos de celebrações carnavalescas com jogos, corridas, mascarados e cortejos. As máscaras permitiam esconder a identidade e, por vezes, esbater temporariamente as diferenças sociais. Com o passar dos séculos, cada cidade e região criou os seus rituais, dando ao Carnaval uma história plural, feita de diversão, crítica e representação pública. Em Portugal, o Carnaval ficou também conhecido como Entrudo. As antigas brincadeiras de rua podiam incluir água, farinha, ovos e outros projéteis, num ambiente que nem sempre era pacífico. Ao longo do século XIX, estas práticas populares coexistiram com formas urbanas mais organizadas, inspiradas nos corsos de cidades como Nice, Paris e Veneza. O inventário do Património Cultural português descreve essa passagem gradual do Entrudo popular para um Carnaval burguês, sem que as tradições rurais desaparecessem de imediato. Uma das tradições portuguesas mais marcantes mantém-se em Podence, no concelho de Macedo de Cavaleiros. No Entrudo Chocalheiro, os Caretos percorrem a aldeia com máscaras, fatos coloridos e chocalhos à cintura. A prática está relacionada com o fim do inverno e o início da primavera; o próprio registo patrimonial assinala que certas interpretações sobre antigos rituais agrários são possíveis, mas não devem ser apresentadas como certezas. O Carnaval de Podence está inscrito na lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO. O Carnaval português também atravessou o Atlântico. No Brasil colonial, o Entrudo levado pelos portugueses deu origem a brincadeiras de rua que incluíam água, farinha e outros materiais. Com o tempo, a festa brasileira incorporou influências indígenas e africanas, trazidas por comunidades marcadas pela escravatura e pela colonização. Dessa mistura nasceram expressões próprias, entre elas os desfiles de escolas de samba, hoje associados sobretudo ao Carnaval do Rio de Janeiro. A história do Carnaval não é igual em todo o mundo. Em Veneza, as máscaras tornaram-se uma imagem central da festa; em Trinidad e Tobago, as celebrações foram moldadas pela história colonial e pelas culturas africanas e caribenhas; em Nova Orleães, o Mardi Gras desenvolveu tradições locais próprias. O Carnaval viajou, mas não ficou igual: cada sociedade adaptou a festa à sua música, às suas memórias e às suas formas de expressão. Em Portugal, Torres Vedras mostra outra etapa desta evolução. No início do século XX, o Carnaval urbano integrou corsos, carros alegóricos, batalhas de flores e Reis do Carnaval, enquanto práticas rurais como as pulhas e as cegadas continuavam em algumas aldeias. A história oficial do evento situa na década de 1930 a consolidação de vários elementos do modelo urbano. Hoje, o Carnaval de Torres Vedras é também conhecido pela sátira e pelas matrafonas. A história do Carnaval é, no fundo, a história de uma festa que se reinventa. Nasceu da convivência entre calendários religiosos e costumes populares, tomou formas diferentes em cada lugar e continua a refletir as comunidades que a celebram. Do Entrudo às escolas de samba, dos Caretos de Podence aos corsos de Torres Vedras, o Carnaval guarda muitas histórias dentro da mesma palavra: música, memória, crítica e encontro. MARCA A TUA VIAGEMLER MAIS: VIAGENS NA AMÉRICA DO SUL EXPEDIÇÕES NO BRASIL VAI TER CARNAVAL HISTÓRIA DO CARNAVAL SEGURANÇA NO CARNAVAL AS PRINCIPAIS ESCOLAS DE SAMBA BRASIL: 5 EXPERIÊNCIAS ÚNICAS MAGNÍFICAS E IMPERDÍVEIS VIAGENS AO BRASIL: GUIA COMPLETO PARA PORTUGUESES ILHA GRANDE: TRILHOS SELVAGENS COMO É A PASSAGEM DE ANO (VIRADA DO ANO) NO RIO DE JANEIRO |
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