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A Ilha Grande não é para turistas convencionais. É para viajantes com garra, que sabem que as melhores recompensas vêm depois do esforço. Cada trilho é um teste à tua vontade, ao teu físico e ao teu espírito de aventura. Junta-te aos Portugueses em Viagem e desafia-te a descobrir todos estes caminhos. No final, não vais só conhecer uma ilha, vais conhecer um novo lado de ti próprio. O trilho mais emblemático é, sem dúvida, o que leva até à Praia de Lopes Mendes. São cerca de 6 km a partir da vila de Abraão, por entre florestas densas, subidas exigentes e miradouros com vistas de cortar a respiração. Chegar a Lopes Mendes é como alcançar uma miragem: três quilómetros de areia fina e branca, mar esmeralda e o rugido do Atlântico a embater na costa selvagem. É considerada uma das praias mais bonitas do Brasil (e com razão). Mas há mais para os caminhantes de espírito forte. O trilho para a Praia do Aventureiro é uma expedição de respeito. São mais de 20 km atravessando o coração da ilha, ideal para quem quer pernoitar em acampamento ou num pequeno refúgio junto ao mar. A chegada compensa tudo: coqueiros inclinados sobre a areia, ondas perfeitas para o surf, e um silêncio que só é quebrado pelo mar e pelos teus próprios pensamentos. Para os mais experientes e bem preparados, o Pico do Papagaio oferece o desafio supremo. A subida começa antes do nascer do sol e exige fôlego, técnica e respeito pela montanha. Mas lá no topo, a 982 metros de altitude, a vista recompensa tudo: o sol a nascer sobre a Baía da Ilha Grande, a mata atlântica a perder-se no horizonte, e a certeza de que acabaste de viver algo grandioso. Não é raro cruzar-te com saguis, tucanos, borboletas gigantes e, com alguma sorte, até um tatu ou um tamanduá. A fauna e flora da Ilha Grande são protegidas e fazem parte da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO. Cada trilho é também uma aula viva de ecologia, onde o homem aprende a caminhar com humildade. Uma das experiências mais especiais é conjugar o trilho com o mergulho. Muitas rotas acabam em praias secretas, acessíveis apenas a pé ou de barco, onde podes nadar com tartarugas marinhas, cardumes de peixes tropicais e até golfinhos curiosos. É natureza em estado bruto, como há muito não se vê — e como devíamos todos viver mais vezes.˜ A Ilha Grande não é para turistas de chinelo e selfie. É para viajantes de verdade, que gostam de suar, de se perder e de se reencontrar no meio da natureza. Se és desses, prepara a mochila, treina as pernas e junta-te à nossa expedição. Vais sair de lá diferente, mais forte e com histórias que não cabem num post de Instagram. Os 16 trilhos oficiais desta ilha lendária do Brasil.T1 – Circuito do Abraão Ideal para quem está a chegar e quer aquecer as pernas. Este trilho dá-te uma volta à Vila do Abraão, passando por miradouros, ruínas do antigo presídio, pequenas praias e o famoso Aqueduto. É curto, acessível e ótimo para te ambientares ao ritmo da ilha. T2 – Aqueduto – Saco do Céu Um trilho que atravessa a floresta, ligando o Aqueduto à pitoresca enseada do Saco do Céu. O percurso é sombra, riachos e o verde denso da mata atlântica. Chegar ao Saco do Céu é ser recebido por barcos de pescadores e restaurantes flutuantes: merece um almoço demorado. T3 – Saco do Céu – Freguesia de Santana Segues ao longo da costa, alternando zonas de floresta e pequenas praias. Este trilho tem história: a Freguesia de Santana foi uma das primeiras povoações da ilha, com igreja centenária e ruínas coloniais. É fácil de caminhar e liga dois dos recantos mais autênticos da Ilha Grande. T4 – Freguesia de Santana – Bananal Agora a aventura sobe de nível: vais contornar morros, cruzar riachos e enfrentar troços mais exigentes. O Bananal é um daqueles lugares onde o tempo parou, ideal para descansar e saborear um peixe fresco com a comunidade local. T5 – Bananal – Sítio Forte O trilho segue por zonas mais isoladas, rodeando praias quase secretas e pequenas comunidades de pescadores. Caminho perfeito para quem gosta de silêncio, natureza intacta e sentir o cheiro a sal e a terra molhada. O Sítio Forte é um abrigo tranquilo à beira-mar. T6 – Sítio Forte – Praia Grande de Araçatiba Este percurso leva-te até Araçatiba, passando por enseadas de águas calmas e trilhos abertos na vegetação densa. Aqui o mar é transparente, ideal para mergulho e snorkeling antes de seguir viagem. T7 – Araçatiba – Gruta do Acaiá Trilho curto, mas surpreendente: o destino é a Gruta do Acaiá, uma caverna à beira-mar onde a luz cria um efeito azul eléctrico único. Não te esqueças da lanterna e prepara-te para rastejar na rocha: é pura aventura. T8 – Araçatiba – Provetá Aqui começas a sentir o lado mais selvagem da ilha. O trilho liga Araçatiba à vila de Provetá, alternando subidas e descidas acentuadas por entre morros, matas e paisagens quase intocadas. T9 – Provetá – Aventureiro Trilho clássico entre os caminhantes mais experientes, liga Provetá à famosa Praia do Aventureiro, conhecida pelo icónico coqueiro inclinado. Caminho exigente, sobretudo em tempo de chuva, mas o prémio final é uma das praias mais bonitas e selvagens do Brasil. T10 – Abraão – Mangues – Pouso Um dos trilhos mais populares da ilha, perfeito para quem quer conhecer a famosa Praia de Lopes Mendes, mas sem pressas. O percurso passa pela Praia dos Mangues e termina no Pouso, onde a aventura pode continuar até Lopes Mendes (T11). T11 – Pouso – Lopes Mendes Ligação curta, mas absolutamente obrigatória: daqui a caminhada até Lopes Mendes é de cerca de 1 km. Lopes Mendes é considerada uma das melhores praias do mundo: areia branca, mar forte, cenário paradisíaco. T12 – Pouso – Farol dos Castelhanos Aqui o trilho leva-te do Pouso até ao Farol dos Castelhanos, ponto extremo da ilha. Pouco frequentado, ideal para quem quer sentir-se no fim do mundo, rodeado apenas por natureza bruta e o Atlântico. T13 – Abraão – Pico do Papagaio Desafio supremo da Ilha Grande. São quase 1.000 metros de desnível, trilho exigente, subida constante até ao ponto mais alto da ilha. O nascer do sol visto do cume é um espectáculo reservado a quem não tem medo de suar e acordar cedo. T14 – Abraão – Dois Rios Outro clássico. Caminho bem marcado, sobe e desce morros densamente arborizados até à praia de Dois Rios, onde encontras ruínas do antigo presídio e um cenário cinematográfico. T15 – Dois Rios – Caxadaço Trilho curto, mas técnico, que atravessa mata fechada até à isolada Praia de Caxadaço, uma das jóias escondidas da ilha. O mar é intenso, e a sensação de isolamento é total. T16 – Dois Rios – Parnaioca O fecho épico: caminho longo, passando por cachoeiras, praias escondidas e mata cerrada até à histórica Parnaioca. Quem chega aqui sente que conquistou a Ilha Grande. |
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