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A inteligência artificial entrou numa nova fase. Depois da automação básica e da geração de conteúdos, surge agora a chamada “agentic AI”: sistemas capazes de tomar decisões, executar tarefas e agir de forma autónoma. No turismo, esta evolução representa uma mudança estrutural. Não se trata apenas de melhorar processos, mas de redefinir completamente a forma como viagens são planeadas, vendidas e vividas. A revolução já começou, mas ainda decorre de forma discreta. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem. Segundo a McKinsey & Company, a agentic AI representa a próxima fase da evolução digital no turismo, com capacidade para planear, decidir e executar tarefas complexas sem intervenção humana direta. Estes sistemas combinam análise de dados em tempo real com capacidade de ação, permitindo automatizar processos completos, desde a pesquisa até à reserva e gestão da viagem. Uma das áreas mais impactadas é a aviação. A agentic AI permite ajustar preços em tempo real com base em variáveis como procura, condições meteorológicas, comportamento do utilizador e dados externos. Este modelo de pricing dinâmico evolui para um sistema autónomo que não só analisa o mercado, mas atua imediatamente, criando ofertas personalizadas e otimizadas para cada cliente. No sector hoteleiro, a transformação é igualmente profunda. Sistemas autónomos conseguem atribuir quartos automaticamente com base no histórico do cliente, gerir equipas de limpeza em função da ocupação e até antecipar necessidades de manutenção através de sensores e análise preditiva. Esta capacidade reduz custos operacionais e melhora a experiência do hóspede, criando um ambiente mais eficiente e adaptado às preferências individuais. A experiência do viajante também se altera de forma significativa. A agentic AI pode reprogramar voos em caso de atraso, reorganizar itinerários e ajustar reservas sem intervenção humana. Em situações de disrupção, como cancelamentos ou alterações climáticas, estes sistemas conseguem reagir em tempo real, reduzindo fricção e aumentando a eficiência da viagem. Esta evolução insere-se numa trajetória mais ampla de digitalização. Dados da World Travel & Tourism Council indicam que a inteligência artificial já está a transformar toda a cadeia de valor do turismo, desde a operação interna até à interação com o cliente, com ganhos significativos de eficiência e inovação. No entanto, a implementação da agentic AI ainda enfrenta limitações. Apenas uma pequena percentagem das empresas utiliza estes sistemas de forma avançada, e a infraestrutura de dados continua fragmentada em muitos mercados. Além disso, a confiança dos utilizadores permanece reduzida, com uma minoria disposta a delegar decisões completas de viagem em sistemas autónomos. A investigação académica alerta também para desafios técnicos. Estudos sobre automação de pricing turístico mostram que os modelos atuais ainda apresentam falhas em cenários complexos, exigindo validação e controlo humano para evitar erros com impacto financeiro. João Oliveira @portuguesesemviagem LER MAIS: |
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