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Entre máscaras rituais, tecidos andinos, ouro pré-colombiano, instrumentos musicais, pintura colonial, folhas de coca e memórias da Revolução de 1952, os melhores museus de La Paz ajudam a compreender uma das sociedades culturalmente mais complexas da América do Sul. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem. A antiga relação entre os Andes e as terras baixas, as civilizações pré-hispânicas, o período colonial e a construção da Bolívia contemporânea aparecem em edifícios espalhados pelo centro histórico. Visitar estes museus é uma excelente preparação para descobrir La Paz e o Altiplano. O primeiro museu que recomendamos é o Museo Nacional de Etnografía y Folklore, normalmente conhecido pela sigla MUSEF. Fica na Calle Ingavi 916 e é uma das instituições essenciais para compreender os povos e culturas da Bolívia. A sua origem remonta ao Departamento Científico de Etnografia, criado em 1925. Em 1974 recebeu a actual designação e hoje integra a Fundação Cultural do Banco Central da Bolívia. O próprio edifício justifica a visita. O museu ocupa o antigo palácio dos Marqueses de Villaverde, construído em 1730, com pátios, arcadas de pedra e elementos da arquitectura colonial. As exposições abordam património arqueológico, histórico e antropológico. Entre as colecções e mostras encontramos máscaras, metais, objectos rituais e património proveniente de diferentes regiões do país. Uma das exposições apresenta 59 máscaras provenientes dos Andes, Oriente, Amazónia e Chaco, enquanto outra percorre a relação histórica da Bolívia com ouro, prata, cobre e bronze. Se tiveres tempo para visitar apenas um museu etnográfico em La Paz, este deverá estar no topo da lista. A poucos minutos encontra-se o Museo Nacional de Arte, outra visita fundamental. Fica na esquina das ruas Comercio e Socabaya, em pleno centro histórico. O museu abriu ao público em 3 de Agosto de 1966 e ocupa uma casa concluída em 1775, posteriormente classificada como Monumento Nacional. A história do edifício contém um episódio particularmente sombrio. O seu proprietário, Francisco Tadeo Diez de Medina y Vidangos, esteve ligado às sentenças contra Túpac Katari, Bartolina Sisa e Gregoria Apaza, figuras centrais da rebelião indígena de 1781. Hoje, o contraste é marcante: o edifício conserva e apresenta obras, artistas e diferentes momentos da história artística boliviana. É o lugar indicado para perceber como linguagens europeias, tradições indígenas e processos sociais bolivianos se cruzaram nas artes plásticas. Também permite olhar para La Paz através da pintura e compreender melhor a produção artística desenvolvida durante e depois do período colonial. Depois há um pequeno museu que aborda uma planta impossível de separar da história dos Andes: o Museo de la Coca, na Calle Linares 906, muito próximo do famoso Mercado de las Brujas. O Museo de la Coca foi fundado em 1996 e dedica-se à história da folha de coca e aos seus diferentes usos. Para um visitante europeu, esta passagem pode ser particularmente esclarecedora. A coca possui uma longa dimensão cultural, ritual e social nas sociedades andinas que antecede largamente a produção de cocaína. O museu procura explicar essa evolução, passando pelos usos tradicionais da planta e pela transformação industrial e química que conduziu a outras utilizações. A visita é relativamente curta, pelo que pode ser facilmente combinada com a Calle Sagárnaga, a Calle Linares, o Mercado de las Brujas e a Basílica de San Francisco. É também um bom exemplo de como um museu pequeno pode abordar um dos temas mais associados (e frequentemente simplificados) quando se fala da região andina. Uma das melhores zonas para continuar este percurso é a Calle Jaén. As fachadas coloridas e a arquitectura histórica fazem desta rua uma das mais reconhecíveis do centro antigo. Aqui encontramos vários pequenos museus municipais, incluindo o Museo de Metales Preciosos Precolombinos. O Museu permite aproximarmo-nos da metalurgia e da produção artística das sociedades anteriores à chegada dos espanhóis. A importância arqueológica desta temática percebe-se melhor quando La Paz é integrada numa viagem pelo Altiplano e por Tiwanaku, um dos grandes centros políticos e culturais pré-hispânicos da região. Na mesma área encontram-se ainda o Museo Costumbrista, o Museo del Litoral Boliviano e a Casa de Murillo. Em Junho de 2026, a própria Câmara Municipal de La Paz identificou estes espaços, juntamente com o Museo de Metales Preciosos Precolombinos, entre os principais museus patrimoniais da Calle Jaén que pretende revitalizar. Uma manhã nesta rua permite, portanto, visitar vários museus sem grandes deslocações. Ainda na Calle Jaén há um espaço que merece ser tratado separadamente: o Museo de Instrumentos Musicales de Bolivia. A história deste museu está ligada ao músico e investigador boliviano Ernesto Cavour. Cavour criou em 1962 o Museo del Charango e, com o crescimento da colecção, o projecto evoluiu para o actual museu dedicado aos instrumentos musicais. As colecções foram organizadas em diferentes famílias, incluindo instrumentos pré-hispânicos, cordofones, aerofones, membranofones e idiofones, além de instrumentos provenientes de outras partes do mundo e criações experimentais. O charango, instrumento de cordas emblemático dos Andes, tem naturalmente uma presença especial. Este é um museu que recomendamos mesmo a quem normalmente passa rapidamente por colecções instrumentais. A música acompanha festas, cerimónias religiosas, danças e identidades comunitárias em toda a Bolívia, pelo que estes objectos ajudam a compreender muito mais do que a história musical do país. Outro endereço importante é o Museo Tambo Quirquincho, próximo da Plaza Alonso de Mendoza. O edifício está ligado aos primeiros tempos de La Paz e à memória do cacique Quirquincha. A documentação municipal identifica a antiga casa do cacique como um imóvel histórico posteriormente convertido num importante espaço de conservação do património da cidade. O museu foi inaugurado em 20 de Outubro de 1988 e acolhe exposições e actividades culturais. Mas há outra razão para entrar: o próprio edifício. Pátios, arcos e elementos arquitectónicos contam parte da transformação urbana de La Paz. O município utiliza também o complexo para preservar um vasto património artístico, incluindo obras vencedoras do Prémio Pedro Domingo Murillo desde 1953. Para compreender a Bolívia do século XX, é preciso sair por momentos do núcleo colonial e visitar o Museo de la Revolución Nacional, junto à Plaza Villarroel. O museu está dedicado à Revolução Nacional de 1952, um dos acontecimentos determinantes da história política boliviana contemporânea. O monumento foi projectado na década de 1950, inaugurado em 1964 e posteriormente transformado em museu sob administração municipal. No interior encontram-se grandes murais de Miguel Alandia Pantoja e Walter Solón Romero, relacionados com a luta popular, a reforma educativa, o sufrágio universal e a própria revolução. O espaço conserva também referências funerárias a figuras políticas e sindicais bolivianas, entre elas Germán Busch, Gualberto Villarroel, Juan José Torres e Juan Lechín Oquendo. Não é o museu mais visitado pelos turistas estrangeiros, mas é particularmente relevante para quem pretende perceber por que razão temas como mineração, movimento operário, reforma agrária, participação indígena e poder militar surgem repetidamente na história recente da Bolívia. Grande parte dos melhores museus encontra-se concentrada no centro, permitindo alternar as visitas com mercados, igrejas, praças e ruas históricas. Convém apenas confirmar os horários no próprio dia. Por exemplo, o MUSEF indica actualmente abertura de segunda a sexta-feira das 08h30 às 16h30 e aos fins-de-semana das 09h00 às 13h00. Quem quiser visitar La Paz, conhecer a cultura da Bolívia e compreender melhor o Altiplano encontrará nestes museus muito mais do que objectos expostos em vitrinas. Encontrará algumas das chaves necessárias para interpretar o país que começa do outro lado das suas portas. MARCA A TUA AVENTURA NA BOLÍVIA |
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