|
No Blog dos Portugueses em Viagem, seguimos há anos a evolução dos hábitos de viagem dos Portugueses, microtendências que, juntas, desenham o retrato de um povo cada vez mais curioso, mais informado e mais exigente. O mais recente relatório internacional da eDreams ODIGEO, “A Year in Travel”, oferece dados sólidos que ajudam a compreender para onde caminhamos enquanto viajantes, e confirma muito daquilo que observamos no terreno, em estrada, em aeroportos e em destinos improváveis. O estudo, baseado em dados reais de reservas e pesquisas realizadas entre 1 de janeiro e 31 de outubro de 2025, cruza milhões de interações nas plataformas eDreams, Opodo, Go Voyages e Travellink, comparando com o mesmo período de 2024. Não se trata de perceções, nem de sondagens isoladas. Trata-se de comportamento efetivo. E isso faz toda a diferença quando falamos de tendências de viagem em Portugal. Paris mantém-se como o destino preferido dos portugueses em 2025, renovando um estatuto que já vinha do ano anterior. Logo atrás surgem Barcelona e Madrid, confirmando a força contínua das grandes capitais culturais europeias. No Top 10 entram ainda Funchal, Amesterdão, Roma, Londres, Ponta Delgada, Genebra e Zurique, mostrando um equilíbrio entre cidades clássicas, ilhas atlânticas e centros urbanos cosmopolitas. Onde se nota verdadeira mudança é nos destinos em crescimento. Cabo Verde destaca-se de forma clara, com a Ilha do Sal a registar um aumento de 208% e a cidade da Praia a crescer 61% face ao ano anterior. Roma sobe 43%, São Paulo 39% e Menorca 35%. África e América do Sul entram com mais força no radar português, abrindo espaço a novas rotas, novas narrativas e novas formas de viajar. Em termos de duração das viagens, as escapadinhas continuam a dominar. Viagens de três a quatro dias representam 39% das escolhas, seguidas das estadias mais longas, entre sete e treze dias, com 19%. Este padrão confirma algo essencial: os portugueses querem viajar mais vezes ao longo do ano, mesmo que por períodos mais curtos, conciliando férias principais com pequenas fugas estratégicas. O comportamento de reserva também revela um país dividido entre espontaneidade e antecipação. Metade dos viajantes reserva até 30 dias antes da partida. Mas 33% fazem-no com dois ou três meses — ou mais — de antecedência. Dois perfis claros: quem aproveita oportunidades de última hora e quem constrói a viagem com tempo, detalhe e intenção. Olhando para 2026, as previsões apontam para continuidade, mas com sinais interessantes de evolução. Paris, Funchal, Barcelona e Ponta Delgada continuam fortes. Porém, o Brasil ganha terreno de forma consistente. O Rio de Janeiro já figura entre as cinco cidades com mais reservas para 2026, e São Paulo surge entre os destinos mais pesquisados. Portugal, por sua vez, mantém-se altamente atrativo para estrangeiros, com Lisboa no Top 15 mundial de destinos mais reservados. O relatório sublinha ainda a influência crescente de grandes eventos culturais, desportivos e musicais nas decisões de viagem. O Campeonato do Mundo de Futebol Masculino da FIFA (EUA, Canadá e México), os Jogos Olímpicos de Inverno em Milão e Cortina d’Ampezzo, o Festival Eurovisão da Canção na Áustria, o Carnaval do Rio de Janeiro e grandes digressões internacionais estão a gerar picos claros nas pesquisas. Viajar deixou de ser apenas destino. É cada vez mais experiência contextual. Em síntese, o estudo confirma um viajante português mais informado, mais estratégico e mais aberto ao mundo. Um viajante que alterna entre clássico e inesperado, entre Europa e outros continentes, entre escapadinha e grande viagem. No Blog dos Portugueses em Viagem, continuaremos a traduzir estes números em histórias reais, rotas alternativas e inspiração prática. Porque viajar não é seguir tendências. É saber escolhê-las. E é isso que fazemos consigo, viagem após viagem. |
MAIS ARTIGOS!Escolhe o tema:
Tudo
|