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Portugal inaugurou a Embaixada da República Portuguesa em Hanói (Vietname) no dia 27 de fevereiro de 2026, um marco que marca a presença diplomática permanente do país no Sudeste Asiático e reforça a aposta estratégica de Lisboa na região. O acto, que contou com a participação do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, simboliza um passo de afirmação política e económica numa zona que é hoje central no xadrez global. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem A cerimónia decorreu na Torre BRG, em Hanói, e teve o acento das relações históricas e culturais entre Portugal e o Vietname. A Vice-Ministra das Relações Exteriores vietnamita realçou que este não é apenas um gesto formal, mas o início de um novo capítulo de cooperação abrangente entre os dois Estados, alargando-se à política, economia, educação e cultura. Portugal responde assim à abertura da representação vietnamita em Lisboa no final de 2025, consolidando a reciprocidade diplomática entre os dois países. O Governo português anunciou também a intenção de reabrir a Embaixada em Manila (Filipinas), encerrada há anos, e de estabelecer uma representação diplomática na Malásia. Esta expansão pretende cobrir melhor “economias altamente dinâmicas do Sudeste Asiático”, reforçando a presença portuguesa em mercados de crescimento sustentado e integrando-os na política externa nacional. No contexto mais amplo das embaixadas portuguesas na Ásia, Portugal já mantinha missões diplomáticas em várias capitais, como Banguecoque (Tailândia), que é uma das mais antigas e serve também como ponto de apoio para vários países da região, incluindo Myanmar, Laos e Vietname. Historicamente, a rede diplomática portuguesa foi se ajustando às prioridades globais, e a nova embaixada em Hanói vem complementar esse mapa de presenças estratégicas. A Ásia representa hoje um dos centros de maior dinamismo económico e político do mundo. O crescimento robusto das economias da ASEAN, o aumento da integração comercial regional e o papel crescente destas na geopolítica global tornam imperativo para países como Portugal terem representação permanente no terreno, capazes de acompanhar negociações, apoiar empresas nacionais e captar investimento. As relações entre Portugal e o Vietname têm uma longa história que remonta ao início do século XVI, com os primeiros comerciantes portugueses no porto de Hội An. No plano diplomático moderno, Portugal foi um dos primeiros Estados ocidentais a reconhecer a República do Vietname após a sua reunificação em 1975. Politicamente, a presença da embaixada em Hanói reforça a ligação entre Lisboa e um país que é parceiro relevante no âmbito da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e com o qual Portugal procura aprofundar relações não só bilaterais, mas também no quadro da União Europeia e de organizações multilaterais. Economicamente, o Vietname é visto como uma economia “hiperdinâmica”, com cerca de 100 milhões de habitantes e um mercado em expansão que oferece oportunidades para exportadores portugueses e sectores como tecnologia, energias renováveis, turismo e infra-estruturas. A embaixada deverá, por isso, ser um instrumento de apoio activo ao comércio e investimento externo. A inauguração da embaixada portuguesa no Vietname e os planos para representações nas Filipinas e na Malásia sublinham a visão de Portugal de fortalecer laços com o Sudeste Asiático, respondendo a tendências globais de mudança de foco económico para o Pacífico e de aprofundamento de laços político-económicos em mercados emergentes. |
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