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Quando falamos em Sri Lanka, é impossível não pensar nas montanhas cobertas de chá, nas fábricas coloniais e no aroma que paira no ar em regiões como Ella e Nuwara Eliya. Mas poucos sabem que tudo isto começou graças à visão e perseverança de um homem: James Taylor, um jovem escocês que, em meados do século XIX, transformou para sempre a economia e a paisagem da ilha. Sabe mais no Blog dos Portugueses em Viagem Nascido em 1835 em Escócia, James Taylor chegou ao então Ceilão em 1852, com apenas 17 anos. Empregado numa plantação de café na região de Kandy, depressa se destacou pela disciplina e pelo conhecimento técnico. Mas o futuro ainda lhe reservava um papel maior: poucos anos depois, uma praga conhecida como Hemileia vastatrix devastou as plantações de café em toda a ilha. O que parecia uma tragédia agrícola abriu caminho a uma nova oportunidade. Foi em 1867 que Taylor deu o passo decisivo: plantou as primeiras sementes de chá numa encosta de Loolecondera Estate, em Kandy. O resultado foi tão promissor que rapidamente expandiu a experiência para uma escala comercial. Não só conseguiu adaptar as técnicas britânicas de cultivo ao solo e clima locais, como desenvolveu métodos próprios de colheita e processamento que ainda hoje são usados. A primeira exportação significativa aconteceu em 1873, quando foram enviados 23 quilos de chá de Ceilão para Londres. O sucesso foi imediato. Em poucas décadas, o Sri Lanka substituiu o café pelo chá como principal cultura de exportação, e o nome “Ceylon Tea” tornou-se sinónimo de qualidade no mercado internacional. As encostas do centro da ilha, até então dominadas por café, encheram-se de plantações de chá que moldaram a paisagem para sempre. Apesar do impacto global do seu trabalho, James Taylor viveu de forma modesta. Nunca se casou, dedicando-se inteiramente às plantações e ao desenvolvimento da indústria do chá. Era conhecido pelo respeito que tinha pelos trabalhadores locais e pela dedicação quase obsessiva à qualidade da sua produção. Em 1892, com 57 anos, morreu subitamente no Sri Lanka, onde permaneceu até ao fim da vida. A sua campa ainda hoje pode ser visitada em Kandy. Taylor nunca se casou nem deixou descendência. Viveu de forma bastante solitária. Alguns autores modernos especulam sobre a sua vida pessoal exatamente por causa dessa ausência de registos de relações românticas. No entanto, não há provas documentais, nem testemunhos, nem correspondência pessoal que confirmem que James Taylor fosse gay. É importante sublinhar que no contexto da Era Vitoriana, sobretudo em colónias britânicas, qualquer manifestação pública de homossexualidade seria socialmente e legalmente condenada, pelo que, a ter existido, dificilmente teria ficado registada. A herança de Taylor é incontestável: o chá continua a ser uma das principais exportações do Sri Lanka, responsável por uma parte vital da economia do país. Mais de um milhão de pessoas estão ligadas, direta ou indiretamente, à produção de chá. Cada xícara de chá do Ceilão que se bebe em qualquer canto do mundo tem um pouco da história iniciada por este escocês visionário. Visitar as plantações fundadas por James Taylor é mergulhar na origem de uma tradição. Em locais como Loolecondera, ainda é possível ver o ponto onde foram plantadas as primeiras mudas e sentir o peso de uma decisão que mudou um país. Para os viajantes que exploram o Sri Lanka, conhecer a história de James Taylor é compreender como um homem sozinho conseguiu transformar uma ilha tropical no berço de um dos chás mais famosos do planeta. |
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