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Veliko Tarnovo merece uma visita em qualquer viagem pela Bulgária. A antiga capital ergue-se sobre colinas recortadas pelo rio Yantra. As casas parecem suspensas nas encostas. As muralhas acompanham o relevo. As ruas conduzem a fortalezas, igrejas, oficinas e miradouros. É uma cidade feita para caminhar sem pressa. No Blog dos Portugueses em Viagem, procuramos destinos com identidade, memória e ligação às populações locais. Veliko Tarnovo reúne tudo isso. Também encaixa com naturalidade numa expedição ferroviária pelos Balcãs, entre Sófia, Plovdiv e Bucareste. Descobre esta e outras viagens culturais dos Portugueses em Viagem, criadas para quem prefere atravessar fronteiras, compreender a história e conhecer lugares afastados dos circuitos turísticos mais previsíveis. Veliko Tarnovo encontra-se no norte da Bulgária, numa paisagem marcada pelas curvas do Rio Yantra e pelas colinas de Tsarevets, Trapezitsa e Sveta Gora. Esta geografia explica grande parte do encanto da cidade. O centro antigo acompanha as elevações do terreno. As ruas sobem, descem e contornam precipícios cobertos por vegetação. Varandas, telhados e fachadas formam uma composição irregular. Cada mudança de altitude revela uma perspectiva diferente. A povoação é uma das mais antigas do país, com vestígios de ocupação humana ao longo de vários milénios. Durante a Idade Média, então conhecida como Tarnovo, tornou-se o principal centro político, religioso e cultural do Segundo Império Búlgaro. A localização protegida e o controlo visual do vale ajudaram a transformar a cidade numa capital poderosa. A ascensão de Tarnovo começou no final do século XII. Em 1185, os irmãos Pedro e Asen lideraram uma revolta contra o Império Bizantino. O movimento permitiu restaurar o Estado búlgaro e fundar o Segundo Império Búlgaro. Tarnovo tornou-se a sua capital e permaneceu como centro do poder até à conquista otomana de 1393. Durante esse período, os palácios reais, o patriarcado, os mosteiros e as escolas literárias deram à cidade uma influência que ultrapassava as fronteiras do território búlgaro. A importância cultural de Tarnovo também está documentada em manuscritos medievais. A UNESCO relaciona o chamado Sinódico de Boril com o concílio convocado pelo czar Boril em Tarnovo, em 1211, e com o círculo literário associado ao último patriarca búlgaro antes da queda do reino. A Fortaleza de Tsarevets é o local essencial para quem procura saber o que visitar em Veliko Tarnovo. O complexo ocupa uma colina cercada em três lados pelo Yantra. Na época medieval, esta área albergava o palácio dos governantes, o patriarcado, residências, edifícios administrativos, igrejas e estruturas defensivas. A muralha desenvolvia-se por mais de um quilómetro e protegia um dos espaços mais importantes do império. A entrada faz-se por uma passagem fortificada que conduz ao interior da cidadela. A subida exige algum esforço, sobretudo nos dias quentes. O percurso compensa pela dimensão arqueológica e pelas vistas sobre a cidade. No ponto mais elevado encontra-se a reconstruída Igreja Patriarcal da Ascensão, cujo interior apresenta pinturas contemporâneas inspiradas na história medieval búlgara. Do outro lado do vale surge Trapezitsa, a segunda grande colina fortificada da antiga capital. Durante séculos, este núcleo esteve parcialmente escondido pela vegetação e pelas camadas acumuladas sobre as ruínas. As investigações arqueológicas revelaram muralhas, casas, ruas e numerosos edifícios religiosos. A visita ajuda a compreender que Tarnovo não se limitava a Tsarevets. Era uma cidade distribuída por vários sectores defensivos e residenciais. A partir de Trapezitsa obtêm-se alguns dos melhores enquadramentos sobre Tsarevets e o meandro do Yantra. A travessia entre estes lugares permite observar como o relevo condicionou a arquitectura e a vida urbana. Quem permanece duas noites em Veliko Tarnovo consegue reservar tempo para explorar ambos os recintos, sem transformar a viagem numa sucessão apressada de fotografias. Depois das fortalezas, o melhor plano é seguir a pé pelo centro antigo. A Rua General Gurko acompanha a encosta com casas dos séculos XVIII e XIX, pequenos pátios, escadas e varandas abertas sobre o rio. O percurso conduz à zona de Samovodska Charshiya, o antigo bairro comercial e artesanal. Este mercado desenvolveu-se sobretudo durante as décadas de 1860 e 1870, quando Tarnovo cresceu para oeste. A área concentrava lojas, oficinas, estalagens e diferentes ofícios. Hoje conserva ateliers onde se trabalham cerâmica, madeira, tecidos, ícones e especialidades doces. Algumas construções foram recuperadas para mostrar a organização económica e doméstica da cidade durante o período do Renascimento Nacional Búlgaro. É uma zona adequada para comprar peças produzidas localmente e observar artesãos em actividade. A história religiosa de Veliko Tarnovo continua nos bairros situados junto ao rio. A Igreja dos Quarenta Mártires ocupa um lugar central na memória búlgara. O templo está ligado às vitórias do Czar Ivan Asen II e conserva colunas com inscrições relevantes para a história do país, incluindo uma associada ao governante Omurtag. Perto dali encontram-se as igrejas de São Pedro e São Paulo e de São Demétrio de Tessalónica. Esta última está relacionada com a revolta de 1185 e com o nascimento do Segundo Império Búlgaro. Os monumentos ajudam a perceber a ligação entre religião, legitimidade política e identidade nacional. A tradição artística da região também alcançou outros territórios. O Monumento aos Asen, também conhecido como Monumento Asenevtsi, ocupa uma península formada por uma curva do Yantra. Foi construído para assinalar os 800 anos da revolta dos irmãos Asen e Pedro. O local oferece uma perspectiva ampla sobre as casas empilhadas na encosta. Ao fim da tarde, a luz incide sobre as fachadas e reforça os contrastes do relevo. Duas noites constituem uma escolha equilibrada para um roteiro em Veliko Tarnovo. O primeiro dia pode ser dedicado a Tsarevets, às igrejas junto ao rio e às ruas históricas. O segundo permite visitar Trapezitsa, Samovodska Charshiya, os museus e os miradouros. Quem dispuser de mais tempo pode seguir até Arbanasi, uma localidade próxima conhecida pelas residências tradicionais e pelas igrejas decoradas. Também é possível explorar Nicopolis ad Istrum, cidade romana fundada pelo imperador Trajano após as guerras contra os Dácios e situada a cerca de vinte quilómetros. Numa viagem de comboio pela Bulgária e pela Roménia, Veliko Tarnovo funciona como uma pausa valiosa entre os grandes centros urbanos. A cidade pede calçado confortável, porque os declives são constantes e muitas ruas mantêm pavimento irregular. escolhe a tua aventura |
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